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Sonhei, e naquela imensidão do sonho, na pequena parte que ainda me restava de consciência, na pequena parte que sabia que uma hora eu iria acordar, eu percebi que aquilo era o que eu mais gostava. Eu gostava de pessoas e de coisas materiais, sim, eu gostava, mas é claro que sim, quem não gosta? Mas eu percebi que aquele lugar que minha cabeça criava sem eu pedir era perfeito, que eu gostava de estar lá, mesmo não sabendo quando eu estaria lá novamente ou qual seria a nova surpresa que esse lugar traria a mim.
Muitas vezes não eram sonhos, eram pesadelos, e dentro do pesadelo eu podia ficar com medo, mas depois que acordava só percebia que aquilo era uma parte de mim. Uma parte do que eu pensei, uma parte do que eu vi, uma parte do que eu senti, uma parte do que eu ouvi, uma parte completamente minha, só minha, que ninguém jamais conseguiria entender. E eu achei simplesmente impossível ter medo de uma parte de mim, de não me conhecer o suficiente para conseguir ter medo de mim mesma.
Perdi a conta de quantas vezes percebi que já estava acordada, mas estendi o momento apenas fechando os olhos e fazendo o desfecho que eu queria antes de abri-los para um novo dia.
O sonho que eu costumo falar que é o que eu mais gostei, é um sonho que eu pulei do Cristo Redentor, sem paraquedas, sem nada, só eu. E eu gostei tanto, me senti tão leve e tão viva, que não me importei se tinha alguém me esperando no chão, se eu iria morrer, se eu iria ficar ferida, eu não me importei com nada disso naquela hora, eu simplesmente me senti caindo e caindo cada vez mais, apenas senti o vendo forte batendo em meu rosto e quando acabou eu não lamentei, porque eu não sentia meu peso, eu não sentia nada, e só sentia meus lábios se abrindo em um sorriso. Eu sei que eu não gritei, eu não escutei meus gritos, eu não senti desespero, mas eu senti que por um momento eu tinha conseguido fugir de tudo o que eu não queria, que por um momento eu só senti a adrenalina correndo pelas minhas veias e o prazer de voar. Porque foi isso que eu fiz, eu voei. Voei como um pássaro, como uma borboleta. Meu sonho foi refletido no meu sonho. O que eu queria fazer eu fiz. E eu queria fazer aquilo novamente, algum dia. Fechar meus olhos, abrir meus braços e me deixar cair, e me deixar voar.

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