Numa noite ela lembrou que a janela de seu quarto estava aberta e foi fechar, mas ficou hipnotizada pelas estrelas que via no céu. As luzes apagaram a maioria, mas aqueles pontos distantes e brilhantes no céu a fizeram se sentir emocionada e fazer uma coisa que nunca imaginaria. Pegou seu telefone e digitou aquele número que ainda parecia fazer as teclas ficarem macias ao seu toque. E então eles ficaram encarando as estrelas sem dizer uma única palavra por algum tempo. Eles sentiam que eles estavam ligados um ao outro, e não falo isso tão literalmente me referindo ao telefone, eles simplesmente sabiam que estavam ligados por causa daquelas estrelas, daquele sentimento que ambos compartilhavam de admiração.
A atenção dela não estava voltada para o telefone, e sim para o que ela via, para aquele céu fascinante. Ela não ouviu os ruídos nem as palavras. Ela não ouviu nada, apenas sentiu. Sentiu quando tudo ficou preto e seu lábio estava colado com outro. Ela não se preocupou; conhecia muito bem aqueles lábios. Não parecia que tinha se passado um ano, 12 meses, 365 dias, 8.760 horas, 525.960 minutos e 31.557.600 segundos que eles tinham ficado separados, o tempo perdeu o significado quando seus lábios se encostaram. Eles sabiam, sempre souberam, aquela dor era a presença e cada vez que tentavam se afastar daquela presença a sentiam ainda mais. Eles se amavam, sabiam disso também. Não viram os segundos passando, nem os minutos, nem as horas, nem os dias, nem os meses, nem os anos, não viram mais nada. Mas agora não era a dor o sentimento que fazia parte dos seus corações, era o amor, em sua forma mais linda e imperfeita, pairando sobre eles, um véu os envolvendo, enquanto eles estiverem vivos.

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