Fitei as estrelas sem abrir minha boca para falar nenhuma palavra. O céu da noite estava cheio delas, mas eu só conseguia ver poucas já que as lâmpadas impediam elas de brilharem. Eu já vi o céu cheio delas, sem nenhuma interrupção, sem nada que as impedisse de brilhar e nesse dia nada fez meus olhos se desviarem delas. Elas são fascinantes. Gostava de olhar para o céu no final da tarde, na conversão para a noite, para ver qual a primeira estrela que eu veria. Logo depois aparecia a segunda sem eu perceber, e se eu prestasse atenção, perceberia que haviam várias estrelas invisíveis, talvez tímidas demais para aparecerem ou se apresentarem. Sempre sonhei em ver uma estrela cadente para fazer um pedido, mas ainda não tive esse privilégio. Sempre uma se destacava. Ela não era grande o bastante para chamar a atenção, mas era a maior em comparação às outras. As nuvens também escondem as estrelas. As nuvens conseguem esconder a Lua e até o Sol, que á a maior estrela, a estrela que só aparece de dia. As nuvens tem esse poder. O poder de esconder e de deixar tudo mais sombrio. É a partir das nuvens que recebemos as chuvas. As chuvas que nos obrigam a nos escondermos. Eu poderia flutuar. Poderia pegar carona com uma nuvem e ir para o céu. Olharia as estrelas de perto, veria o tamanho do brilho delas. Descobriria o quão longe eu estava enquanto as admirava pendurada na janela de meu quarto. Poderia brincar de contá-las. Veria que isso estava além do meu alcance. Eu diria: "isso é impossível" só por força do hábito, mas acreditaria que conseguiria e tentaria. É claro que tentaria! Eu sorriria com meus olhos banhados de lágrimas e admiração. Minha boca se projetaria para baixo por causa da vontade de chorar. Choraria de alegria.
À medida que meus olhos secavam e meu ouvido deixava de ouvir o som oco do céu, eu percebi aonde estava e o que estava fazendo. A luz branca foi se transformando até virar amarela. Ah! Olhei o livro que estava em meu colo e tentei descobrir que música estava tocando. A luz amarela que vinha da lâmpada não tinha nada a ver com a minha imaginação, e não era a mesma luz que vinha da estrela que brilhava de dia. Eu estava no meu quarto, percebi. E lendo. Uma palavra havia roubado minha atenção. Eu estava sonhando acordada. Terminei o capítulo que estava lendo e me levantei, indo em direção ao meu computador e apertando no botão para ele ligar. Quando ele finalmente ligou, abri o meu navegador de costume e abri minhas redes sociais, juntos com o blogger. O Winamp já estava aberto e na música certa. Cliquei em "Nova Postagem" e comecei a escrever.
"Estrelas..."

Nenhum comentário:
Postar um comentário