O silêncio se prolongou. Eles escutavam as vozes no silêncio, viam as falas estampadas nos olhos, sentiam o coração disparar e as mãos suarem, mas nada diziam. Não conseguiam. O sentimento impossibilitou-os com o sentido da fala. Eles não falavam, mas eles sabiam que o amor era forte, que o amor não tem barreiras, tem apenas uma tênue cortina que os separa; a cortina da hesitação. As bocas abriram-se, mas eles ainda não conseguiam falar, conseguiam apenas se olhar com uma camada de lágrimas nos olhos; lágrimas de emoção. A garganta estava apertada, e se tentavam falar apenas a boca se movia, mas isso era o suficiente. Suficiente para uma leitura labial e para entender que eles queriam dizer "eu te amo". O medo e a vergonha foram embora quando eles entenderam que sentiam a mesma coisa. O mesmo amor possuía-os. Com a mesma frequência, como se um rádio tivesse sido ligado e eles estivessem sintonizados. Eles sentiam a mesma conexão que pairava entre eles. Podiam passar informações só de estarem perto, como um bluetooth. Eles tinham as mesmas preocupações, na verdade, tinham apenas uma: que fossem sozinhos em seus sentimentos. Queriam estar perto todo o tempo, queriam contar sobre suas vidas, queriam chorar no ombro um do outro. Eles queriam ficar juntos, queriam ser um só. Muitas vezes se pegavam imaginando como seriam seus filhos, como seria o casamento. Mas agora eles apenas se aproximaram e juntaram seus lábios, sorrindo e se afastando apenas um pouquinho para dizer que foram feitos um para o outro.
Aquilo passou como um filme na cabeça dela. Aquele primeiro beijo, o que sentiu quando os lábios dele pousaram nos seus, aquela insegurança. E agora estava na frente do espelho, vendo a mulher refletida nele e não conseguindo acreditar que é ela. É impossível, ela pensava. A felicidade a tornava mais radiante e o amor a tornava mais incrível, mais real.
Ela foi chamada por uma voz masculina que já era conhecida em sua vida, pela voz de seu pai. Subiram uma escada e depois pararam, esperando. Ela escutou a música e percebeu que era a sua vez. Só conseguiu olhar para ele, só existia ele. E então a garganta apertou novamente e ela não conseguiu mais falar, apenas olhou para o homem que estava à sua frente e selou seu compromisso para a vida toda juntando seus lábios e sorrindo entre o beijo, porque a felicidade seria deles e ela queria que ela fosse assinada agora, uma assinatura com batom e muito amor.

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