terça-feira, 5 de março de 2013

Viagem


Desejei que a inconsciência me engolisse por mais alguns segundos. Na consciência existe a dor, o sofrimento e a perda, porém nela eu posso pensar sobre o que eu quiser, mas sempre acidentalmente vou para algum lugar lugar que eu quero evitar. Andei mais uma vez pelas ruas de minha cabeça, tentando procurar um bom lugar para ficar, um lugar para sentar, descansar e esquecer. Algumas ruas que eu passava eram asfaltadas, outras só tinham lama, outras eram feitas de ladrilhos e algumas até diamantes, mas essas eram as raras, as que eu pisava poucas vezes, geralmente elas eram trancadas por portões grandes de ouro que impediam minha passagem. Em alguns lugares era frio, em outros era calor e em outros não era nem um nem outro, era apenas agradável. Eu gostava de ficar em lugares confortáveis, lugares que eu pudesse desfrutar da paisagem e das cenas que ali passavam. Tinha até um cinema que eu ia quando eu queria dormir, esse lugar era repleto de imagens aleatórias de várias coisas que eu vivenciei e vários lugares onde de dia eu estive. Haviam campinas que tinham a grama alta e milhares de flores (sempre as minhas preferidas) que faziam-me sentir cócega na perna. Eu gostava de colocar algum vestido e ir lá correr e dançar, sentir-me leve e verdadeira. Nesse lugar perfeito também tinham pessoas. As pessoas que eu queria ver, que eu queria que de minha vida fizessem parte. Músicas também estavam lá, tocando repetidamente, tantas vezes que eu desejava desligar, mas não conseguia. Continuei andando até achar o lugar perfeito, então coloquei uma calça jeans, um moletom e um tênis por causa do frio e caminhei por entre as flores dessa linda campina. Um papel voou e eu corri para alcançá-lo, assim que o fiz, abri-o e nele só estava escrito meu nome em letras maiúsculas, aumentava cada vez mais a quantidade e o tamanho da letra, até que eu comecei a escutar e me vi em outro lugar. Olhei para meu calção curto, para minha regata rosa e para meu pé descalço, em seguida olhei o lugar onde eu estava, na sala de minha casa e ouvi meu nome mais uma vez. Percebi que estava viajando dentro de mim mesma e no mundo real uma pessoa me invocava.Vi-me correndo novamente pelo mesmo motivo de antes, só que agora eu sabia o que procurava. Alguém me queria, alguém me chamava, em algum lugar alguém me esperava.

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