Não era para ser assim.
Eu imaginava algo mais fácil,
simples e óbvio. “Estar a fim” era o termo certo. Eu estava a fim. Já estive a
fim. Mas então algo mudou.
Em vez de acreditar em teorias
de que o meu “estar a fim” era recíproco, eu comecei a me deixar levar.
Simplesmente fui junto com a onda. Mudei de ideia algumas vezes enquanto ainda
estava presa na ideia da reciprocidade. O que não é sentido mutuamente não deve
ser sentido, certo?
Se for o certo, então eu estou
toda errada.
Porque houve um momento que eu
já não me importava. Ou, melhor dizendo, que já não fazia mais diferença. O
fato de ter o meu sentimento correspondido já não afetava mais ele; eu
continuaria sentindo apesar disso.
Quando eu perdi o sono por uma
preocupação que não era minha foi a primeira vez que eu senti o amor. O real
amor. Aquele dos livros, dos contos de fada, aquele que diz para cuidar. Aquele
que diz que você se importa totalmente com a pessoa e por um segundo esquece de
si mesmo. Foi esse o amor que eu senti; e ele foi inteiramente por você.
Aquilo que era para ser apenas
um simples “estar a fim” se tornou algo que eu não posso mais descrever. Eu já
estive a fim, mas hoje não mais. Hoje eu estou mais que isso. Estou inteira,
entregue de um jeito que eu jamais pensei que estaria, cheia desse sentimento
que não posso nomear.
Não era para ser assim.
Não era para passar dos limites
ou se tornar incompreensível. Não era para não ter nome. Eu não pretendi nada
disso quando comecei a brincar de “será que ele está a fim de mim também?”.
Mas foi exatamente assim.
Aos poucos e definitivamente.
De um jeito que me deixou sem escapatória, mesmo que eu não saiba se quereria
escapar caso tivesse opção. Talvez eu simplesmente não queira.
Porque não era para ser assim,
mas foi exatamente assim.
E eu acho que esse é o único
jeito que tem que ser.
