domingo, 5 de novembro de 2017

Sobre acreditar no amor - 29/01/2016

— Deixe-me te amar — sussurrei ao seu ouvido. — Não me impeça disso.
— Eu não posso te impedir disso — ele respondeu, virando seu rosto para mim e forçando um sorriso. — Não posso mandar nos teus sentimentos.
— E nem nos teus! — protestei. — Pare de pensar um pouquinho sobre o que é o amor e se permita sentir.
— E como que eu posso me permitir sentir? — ele debochou. — Escute, isso não faz o menor sentido. Não acredito no amor. Nunca vou amar. Ponto final.
— Não tem ponto final nisso — encarei-o firmemente. — Eu vejo nos teus olhos... O sentimento, tão claro, tão absurdamente óbvio. Pare de renegar isso.
Ele respirou fundo e fechou seus olhos.
— O que é amor? Quero uma resposta pessoal. Nenhuma citação de livro nem nada. Apenas… o que é o amor para você?
Ele continuava de olhos fechados e parecia relaxado. Talvez quisesse apenas me ouvir. Talvez apenas bastasse a minha voz trazendo a resposta que ele incansavelmente procurava para que ele conseguisse sentir.
Suspirei e tentei ser o mais sincera que eu conseguia.
— O amor não é eterno, para mim. Não é porque eu amo alguém hoje que eu precise amar essa pessoa pelo resto da vida. Não acho que funcione dessa forma… O amor é esse estado de espírito em que tudo parece um pouco no lugar. Pelo menos um pouco, sabe? Qualquer coisa parece melhor, mais leve, mais colorida. O amor é esse sentimento forte de… conexão. Querer estar perto. Querer abraçar, tocar, compartilhar momentos. Se preocupar. Sentir pelo outro, com o outro. Estar juntos. Esse é o amor. E não, para mim ele não é imutável. Para mim ele dura por algum tempo e, exatamente por isso, precisa ser aproveitado da melhor maneira. Cada segundo tem que valer e tem que ser lembrado como o melhor segundo — respirei fundo. Ele parecia concentrado, absorvendo cada uma de minhas palavras e mastigando-as em sua mente. Eu conhecia sua expressão quando ele se concentrava em algo e pensava sobre aquilo; olhos fechados, uma pequena ruguinha em sua testa, boca entreaberta. — Não abra seus olhos — pedi.
Procurei por um fone de ouvido e o pluguei no meu celular. Queria achar uma música que transmitisse sentimentos, paz e muito amor. Colour me in, do Damien Rice me pareceu uma opção ótima.
Coloquei delicadamente os fones em suas orelhas. Ele se assustou um pouco com o toque inesperado, mas não reclamou quando a música começou a tocar. Respirei fundo e me encostei no banco ao seu lado, pretendendo esperar por sua reação à música.
Senti seus dedos deslizarem por minha mão poucos minutos depois. Quando o olhei, lágrimas escorriam do canto de seus olhos. Imaginei que a música tivesse chegado ao seu ápice e encaixei minha mão na sua, entrelaçando nossos dedos e permitindo que ele a apertasse fortemente.
Ele ficou mais um tempo com os olhos fechados e tirou os fones quando finalmente os abriu. Seus olhos não pareciam seus; banhados em lágrima, o castanho ficava mais acentuado. Era tão bonito…
— Eu te amo — ele sussurrou timidamente.
Senti meu coração aquecer no mesmo instante. Como se a água do chuveiro tivesse mudado de gelada para quente; meus músculos relaxaram com o calor repentino e agradável. Sorri.
— Sério?
Hoje — ele enfatizou. — Eu te amo hoje. E talvez amanhã também… Por quanto tempo esse sentimento de que tudo está no lugar certo durar.
— Tudo bem — sussurrei e toquei em seu rosto. — Eu também te amo hoje. E vamos nos amar até onde der, mas somente até lá. Eu prometo. Vai ser o suficiente para criar ótimas memórias e para fazer cada segundo contar.

— Sim… — ele concordou e encostou nossos rostos. — Vai ser o suficiente — disse antes de colar nossos lábios em um beijo apaixonado. Um beijo cheio de amor.

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