Eu
costumava ter medo de começos. Eles me apavoravam ― e muito. A ansiedade e o
nervosismo chegavam e eu não melhorava nada até começar. Qualquer coisa. Um
livro, um texto, um ano. E esse ano, como em todos os outros, eu estava com
esse medo insano de começar. Medo de que tudo desse errado, de que nada saísse
como planejado, de que os sorrisos não superassem os choros. Medo era somente o
que eu sentia.
No
entanto, ao longo do ano eu percebi que as coisas deram certo. Nem tudo como o
planejado, mas algumas vezes até melhor que isso. E, acima de tudo, os sorrisos
definitivamente superaram os choros.
Foi
quando eu percebi que, pela primeira vez, o que me dava medo era o fim. Porque
eu não queria que acabasse. Porque eu não queria que ele chegasse como chegou;
em um momento estava tão distante e no outro estava logo ali. Mas era também um
medo diferente ― não tinha mais a ver com ansiedade ou nervosismo ― e sim com a
tristeza da percepção do fim.
Fins
nunca me incomodaram. E eles realmente não incomodam, quando a mudança é para
melhor e não há nada para deixar para trás. A diferença de todos os fins, é que
esse tem muita coisa para deixar para trás. Uma etapa, como chamam, ou um
pedaço, como eu chamo. Porque é um pedaço de tudo que vai ficar para trás e a única
coisa que vai sobrar vão ser as lembranças e nem sempre elas serão o
suficiente.
Porque
o fim chegou. E ele não deveria, sinceramente, nem existir.
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