É
um sentimento arrebatador. Ler aquelas palavras impressas em papéis amarelados com
cheiro inebriante e sentir algo tão difícil de interpretar. Entrar dentro de
uma nova história, em um novo contexto, com novas pessoas e se sentir em um
lugar tão aconchegante. Sofrer com os personagens, querer envolvê-los, querer
consolá-los, querer fazê-los acreditar que no fim eles vão sobreviver. Talvez
sobrevivam, talvez não. Mas é só uma história, como qualquer outra. É só uma
história como a minha, que acabará em morte. Será que o fim terá uma frase
memorável? Será que minhas palavras tocarão o coração de outras pessoas? Será
que eu sou digna de ter uma história impressa em papéis amarelados com cheiro
inebriante?
Aposto
que sim. Todos merecemos. Todos construímos histórias de luta e superação, com
sofrimento e desistência, mas que tocam a vida de outras pessoas. Pode ser que
toquem a vida de apenas uma pessoa, de várias ou de uma nação inteira. Quem
sabe? O que você fez hoje que possa mudar o pensamento de alguém? Nada? Tudo
bem, eu te entendo. Muitas vezes simplesmente não temos disposição para mudar a
vida de alguém. Contudo, isso não nos impede de encontrarmos histórias que
possam nos mudar. Que toquem a nossa
alma e nos impeça de continuarmos na mediocridade.
Enquanto
eu leio, meu coração fica em minha mão. Não suporto deixá-lo em meu peito. São
emoções demasiadamente intensas para que ele aguente em meu peito. Por isso o
arranco de mim e faço um esforço enorme para não chorar. Mas é inevitável. As
lágrimas sempre alcançam meus olhos e embaçam minha visão. No entanto, elas
ficam lá. Paradas. Nunca escorrem em cachoeira por meu rosto. Em vez disso,
acumulam-se em meus olhos junto com a dor do sofrimento dos personagens em meu
coração. E então eu tenho vontade de arrancá-los fora, mas sem eles eu não
poderia ler. E sem o meu coração, eu não poderia sentir. Portanto, devolvo-os
para seus devidos lugares e tento suportar o arrebatamento.
No
final eu sempre sobrevivo, muitas vezes com a sensação de dever cumprido e
outras com a necessidade de mais. Mas também há situações que eu saio
despedaçada, com uma parte faltando dentro de mim. Não é tão raro um livro
levar uma parte de mim junto dele.
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