(Imagem retirada do Deviantart)
Diante
daqueles conflitantes pensamentos, calei-me e fechei meus olhos. Era tolice, eu
tinha certeza. Eu não me sentiria aliviada ao fechar os olhos, em vez disso, trancar-me-ia
na mesma prisão da qual eu gostaria de me libertar. Talvez o mais adequado fosse
libertar as minhas lágrimas a fim de aliviar-me, todavia elas não chegavam até
meus olhos. Ficaram presas em meu coração despedaçado.
Mesmo
com um milhão de tentativas, não fui capaz de desacelerar meus pensamentos.
Eles me corroíam, me consumiam, me esgotavam. Dilaceravam-me lentamente, tortuosamente.
Não tinham piedade de mim. Estava quebrada, arranhada, corrompida. E não sabia
o que fazer a respeito.
E
quando tudo que você acredita na vida se desmonta? Escorrega por entre os vãos
de seus dedos e se espatifa em milhões de pedacinhos no chão? Você pode
recolher esses pedacinhos e tentar se remontar, no entanto talvez tenha uma
parte que nunca se encaixe em lugar algum. Ela sempre ficará de fora e sua
ausência lhe incomodará, não importa quão esforçado você seja para ignorá-la.
Afinal, aquilo também é seu. Mesmo fora de você, continua sendo uma parte sua.
Talvez
em algum outro dia ou em alguma outra hora você se reencontre. Pode ser em uma
esquina qualquer, em sua casa ou em uma pessoa. Inimaginável. Quem sabe você
tome uma decisão certa, se é que existe alguma errada. Talvez seja possível se
remendar; quem nunca teve que usar algum pedaço de outra coisa para remendar
alguma parte rasgada? Aceite, você também pode ser rasgado. Você pode ser
rasgado por suas (in)decisões e ter que aprender a costurar a si mesmo. É a
vida, simples assim. Acontece com todo mundo. Comigo também aconteceu.
Minha
vida dependia daquilo. De um sorriso ou de um pró. Mas tudo estava contra.
Contra mim, contra o mundo. Você está contra a vida mesmo quando a chuva lava
sua alma? Eu, geralmente, sim. Minhas palavras são traduções de sentimentos que
eu quero deixar para amanhã ou para nunca mais. E se eu decidir não decidir?
Será o crime perfeito? Queria que fosse. Ah, como queria! Porém a realidade é
muito mais cruel que isso. Afinal, ela faz parte da vida que ignora a fantasia.
Vamos criar uma nova fantasia onde a decisão é não decidir? Vamos ignorar o
mundo e construir um novo lugar para ficar? Não precisa ser perfeito, só
precisa ser um lugar para ficar. Vamos chorar pelas perdas e sorrir pelos ganhos,
mesmo que esses não sejam tão bons quanto o esperado?
Uma
decisão. Uma perda, um ganho. Deixe-me ganhar a vida. Deixe-me vencer a minha
própria batalha. Não me importo em perder as batalhas contra o mundo. Decido vencer
minhas próprias batalhas. Mesmo chorando. Mesmo não deixando a chuva lavar
minha alma. Eu aceito. Com um sorriso na boca e lágrimas nos olhos, eu aceito.

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