sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Caixa

E quando nada estiver indo como planejado, abra a caixa. Aquela caixa. Você sabe do que eu estou falando. Provavelmente você tem uma em sua casa (ou em sua cabeça). É uma caixa que pode ser grande, média ou pequena. E isso não depende do tamanho dela. Ela é sempre grande, basta saber preenchê-la. Se você preenchê-la com frequência, ela ficará pequena. Se nunca preencher, ela será sempre grande. Tudo depende do ponto de vista (ou de vida). O que se pode concluir com isso? Que as pequenas caixas são as melhores. Por quê? Porque a distribuição dos objetos tem de ser organizada e correta para conseguir sempre mais espaço. 
E quais são os objetos? São as lembranças. Lembranças grandes, médias ou pequenas. Tem de saber a maneira certa de selecioná-las, para quando você realmente precisar da caixa você se satisfazer com o conteúdo dela. O que as lembranças podem ser? Um simples "eu te amo" (que não é tão simples assim, se parar para analisar). Uma reconciliação. Um abraço. Uma frase. Uma risada. Um sorriso. Um brilho no olhar. Uma surpresa. Uma presença. Alguém que se lembrou de você. Uma visita. Uma ligação. Um recado. Uma dedicatória. 
E sobre você poder ter a caixa em sua casa. Referia-me à caixa física, mas que também podem ser guardadas lembranças. Como cartões, bilhetes e presentes. Lá você poderá reencontrar o seu passado e também construir o seu futuro. Você encontrará muitos "eu te amo", talvez de amigos ou de namorados. Você encontrará considerações. Você encontrará pessoas que gostavam de você. Que te amavam. Talvez elas não te amem mais, mas algum dia elas o fizeram. Sendo contraditória falando do amor? Talvez. Entretanto, posso explicar.
Amor pode muito bem ser considerado um estado de espírito, assim como felicidade e tristeza. Talvez o amor não seja eterno, como acreditamos que seja. E talvez falar sobre ele com uma pessoa que conhecemos recentemente não o torne falso. Há uma possibilidade de aquela pessoa ainda te amar, e isso significa que o amor nunca morreu. Assim como tem uma possibilidade de aquela pessoa ter te esquecido total e completamente. O amor pode ser renovado ano após ano, mês após mês, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo após segundo. E então ele se tornará imortal, porque você se lembrará dele sempre. Contudo, se você esquecê-lo, esquecer de renová-lo ano após ano, mês após mês, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo após segundo, ele morrerá. Deixará de ser imortal. Mas ele será infinito enquanto durar, como já dizia Vinícius de Moraes. 
Provavelmente necessitamos de uma conclusão para isso e o teremos. Você ainda não tem essa caixa? Nunca é tarde para criá-la ou preenchê-la. Grave cada segundo que você considere importante e o faça eterno. Você se lembrará dele se assim desejar, não se preocupe de perdê-lo. E se perdê-lo? Existirão outras possibilidades, outros momentos, outros segundos. Mas faça. Grave, grave tudo o que achar importante. Grave com os olhos, com os ouvidos e faça os outros te gravarem. Faça-se importante. Portanto, quando nada estiver indo como o planejado, abra essa caixa. Abra essa caixa e encontre tudo o que necessita (e nunca se esqueça, as cenas foram selecionadas por você). Reencontre sua vida. Reencontre sua razão para viver. Talvez nenhuma daquelas pessoas te ame mais, mas algum dia elas te amaram. E quando você estiver incondicionado de criar novas lembranças, aproveite as antigas. Mas faça de cada momento relevante. Faça de sua vida uma grande lembrança e nunca a esqueça. 

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