Pisco contra a escuridão. Sim, contra a escuridão. Não é lá muito claro 6:30 da manhã. Bato em meu celular, mandando ele parar de tocar aquela música chata. Ainda estou desorientada, então cambaleio como um zumbi quando vou para o quarto de minha mãe. Eu sempre faço isso. Todas as manhãs. Acho que eu sempre fiz, na verdade. Quando era pequena era minha mãe que me levava para a cama com ela, mas agora, 13 anos depois, sou eu quem vou acordá-la. Acho que com 5 eu também ia, para dormir mais um pouco ou talvez para assistir algum desenho da TV Globinho. Lembro-me que amava fazer isso. Arrasto-me até minha mãe e encho seu rosto dormente de beijinhos. Ela se espreguiça e abre espaço para eu entrar nas cobertas, que permanecem quentinhas. Normalmente eu reclamo, expressando meu desejo de ficar deitada pelo resto do dia e ela ri. Aquele risinho fofo. E então fala: "Mas fique! Que aulas você têm hoje?"
Ela se levanta, antes de mim e com muito mais disposição. Acho que é isso que me faz levantar todos os dias, sua disposição, sua alegria. Arrumo-me antes de ir para a cozinha. Ela está tomando seu chimarrão com meu pai, como sempre. "Bom-dia, pai" digo. "Bom-dia por quê?" sempre me responde ele, com um ar brincalhão. "Oi, mãe" digo. Já comentei o quanto eu gosto da palavra oi? Não? Então tá. Oi, oi, oi, oi... "Oi" ela ri. Mais uma vez. Sorrio antes de começar a comer.
[...]
Desço as escadas correndo. Atrasada, novamente. Meu pai faz um som com boca, equivalente a estalar a língua. Minha mãe me olha de uma maneira debochada. "O quê?", pergunto com demasiada inocência. Ambos balançam a cabeça negativamente. "Será que não vai passar frio?" pergunta minha mãe, cheia de preocupação. "Acho que não" respondo incerta. Já disse que as mães estão sempre certas? Então se eu tinha certeza no momento em que eu me vesti, eu perco ela quando minha mãe abre a boca. "Mas não quer que eu pegue aquela sua blusa roxa para você?", mais uma vez a preocupação. "Não precisa, mãe. Minha sala é quente" respondo suavemente. "Tem certeza?", torna a perguntar. Lanço um olhar que a faz parar e levantar as mãos em sinal de rendição.
Não, não é uma despedida chorosa do tipo: "Nunca mais vamos tornar a nos ver. E agora?". Não, não é nada disso. É uma despedida normal, com a certeza de que nos veremos novamente em cerca de algumas horas. Mas é meio difícil. Não exatamente, mas é. Nós simplesmente nos abraçamos e ela me deseja uma boa aula.
Bato o cadeado e vou para a escola, já pensando no meio-dia, na minha mãe.
Ela deveria ser eterna, murmuro com meus botões, essa pessoa que eu tanto amo.
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