terça-feira, 28 de maio de 2013

Aquela crônica que eu nunca escrevi


Percebo-me mais uma vez na janela de meu quarto. Mais um fim de tarde de domingo e aqui estou eu novamente. Passo muito tempo por aqui, bolando as palavras, pensando na melhor maneira de colocá-las no papel, ou na tela de um computador, mas nunca as escrevo realmente. Daria uma bela crônica essa cena que eu vejo se repetir todos os dias. Nunca fui boa em crônicas, mas, às vezes, penso que tudo o que escrevo são crônicas pelas reflexões, apesar de não serem fatos do cotidiano. Volto minha atenção novamente para a casa vizinha e o show do dia começa. 
A menina sai de casa correndo, com uma bola verde em sua mão e a mãe vem logo atrás. Elas se posicionam. A mãe a ensina a mirar a bola, para assim acertar o alvo, porém a menina continua jogando a bola para o alto e gargalhando quando não acerta nada. Não muito tempo depois a mãe se rende e começa a rir com a criança, mas ainda assim tenta ensiná-la a jogar corretamente. A menina de cabelos pretos compridos continua jogando para cima, tentando jogar para a mãe, mas, de repente, a bola estoura. Penso que a criança começará a chorar, mas a mãe começa a rir e ela se embala pelo barulho tranquilizador. A mãe puxa a criança e a ajuda a se segurar em uma corda de varal e a se balançar. 
É hora do crepúsculo. Começa a esfriar e a mãe insiste para entrarem, mas a menina está distraída demais com a bola furada e com a corda do varal para dar atenção. Penso que a mãe irá brigar, mas ela ri novamente. Nunca a vi tão feliz. 
Os olhos da criança brilham de surpresa e admiração, com aquela inocência que faz tudo parecer colorido. Ela só tem certeza de poucas coisas simples. A grama  é verde, o sol é amarelo, o céu é azul e varia o tom entre a noite e o dia. Ela sabe também que sua mãe significa muito. Ela sorri e finalmente entra para dentro de casa, porém antes disso olha mais uma vez em volta, não querendo esquecer o momento que não durou mais que 15 minutos. 
Saio da janela e quando me olho no espelho de meu quarto vejo a mesma luz que estava nos olhos da menina. Entendo que é a felicidade plena, aquela libertação que faz você ficar de bem com a vida e com o mundo. 
Com um sorriso no rosto saio do meu quarto.

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