A menina sai de casa correndo, com uma bola verde em sua mão e a mãe vem logo atrás. Elas se posicionam. A mãe a ensina a mirar a bola, para assim acertar o alvo, porém a menina continua jogando a bola para o alto e gargalhando quando não acerta nada. Não muito tempo depois a mãe se rende e começa a rir com a criança, mas ainda assim tenta ensiná-la a jogar corretamente. A menina de cabelos pretos compridos continua jogando para cima, tentando jogar para a mãe, mas, de repente, a bola estoura. Penso que a criança começará a chorar, mas a mãe começa a rir e ela se embala pelo barulho tranquilizador. A mãe puxa a criança e a ajuda a se segurar em uma corda de varal e a se balançar.
É hora do crepúsculo. Começa a esfriar e a mãe insiste para entrarem, mas a menina está distraída demais com a bola furada e com a corda do varal para dar atenção. Penso que a mãe irá brigar, mas ela ri novamente. Nunca a vi tão feliz.
Os olhos da criança brilham de surpresa e admiração, com aquela inocência que faz tudo parecer colorido. Ela só tem certeza de poucas coisas simples. A grama é verde, o sol é amarelo, o céu é azul e varia o tom entre a noite e o dia. Ela sabe também que sua mãe significa muito. Ela sorri e finalmente entra para dentro de casa, porém antes disso olha mais uma vez em volta, não querendo esquecer o momento que não durou mais que 15 minutos.
Saio da janela e quando me olho no espelho de meu quarto vejo a mesma luz que estava nos olhos da menina. Entendo que é a felicidade plena, aquela libertação que faz você ficar de bem com a vida e com o mundo.
Com um sorriso no rosto saio do meu quarto.

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