Preciso correr. Por quê? Não sei. Poderia simplesmente me render, mas prefiro lutar ou fugir. Fugir, como sempre. Viro-me e começo a correr. Escuto passos atrás de mim, alguns gritos, alguns barulhos graves, mas não me importo. Só olho para frente, só me concentro no meu caminho. A maior ironia disso tudo é saber que passei minha vida toda correndo por um caminho para encontrar a vida e acho que agora procuro a morte. Quero encontrar a vida, é claro, quero continuar vivendo, mas acho que não tenho muitas escolhas. Corro rápido, mas tropeço bastante e a floresta não ajuda com isso. Está escuro aqui dentro, o que me causa algum tipo de claustrofobia. Vejo a luz. É pequena, mas vai se expandindo à medida que eu me aproximo do fim da floresta. Estou livre, penso, agora eu posso viver. Eu consegui!, mas provavelmente me precipitei ao pensar isto. Quando saio da floresta não chego em uma campina. Paro bruscamente. Engulo em seco e ando lentamente tomando cuidado ao chegar na ponta instável do penhasco. Respiro fundo. O ar é rarefeito. Morrer ou morrer. Os passos se aproximam, os gritos se tornam mais nítidos. Logo alguém aparecera. Dou um giro, apenas para ver algum rosto desconhecido aparecer vindo da direção da floresta. Seu rosto é apavorado. Pela primeira vez não sinto medo. O poder está em minhas mãos. Aparentemente eu tenho uma escolha a fazer. Fecho os olhos e lembro-me de algumas coisas cruciais de minha vida.
Passei minha vida toda com o sentimento solidão em cada lugar que eu estava. Li um livro sobre solidão e acho que eu sempre fui meio solitária, porém acho que sempre me senti muito poderosa. Não era do tipo que desistia, eu ia sem medo de errar, de ser ignorada ou o que quer que pudesse acontecer. Minha vida sempre foi muito cheia de metáforas, eu brincava com elas em meus textos. Lutar ou fugir. Eu escolhi fugir, mas estava lutando. Lutando pela minha sobrevivência. Provavelmente mereço o inferno pelo próximo passo que darei (literalmente), mas eu não podia simplesmente desistir e me entregar. Fugindo eu lutei. Eu tentei viver, mesmo quando mataram quem eu mais amava. Eu continuei vivendo, mas não posso continuar aqui, não agora.
Abro meus olhos apenas por um segundo. Uma última visão privilegiada da Terra, de Deus. Fecho os olhos novamente e dou um impulso para trás. Jogo-me do penhasco.
É raro eu fazer isso, mas terei que dedicar esse texto pra Flávia porque ela que me deu a ideia do que escrever e porque ela é sempre linda em relação aos meus textos. Acho que eu só tenho que agradecer a ela por todas as palavras que me fala depois de cada texto meu que ela lê. Obrigada, Fá <3
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