segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Amizade

Alguns dias atrás eu estava com minha mãe e meu irmão e nós três começamos a lembrar das coisas que vivemos. Não das coisas que vivemos juntos, mas das coisas que vivemos em nossas vidas. Cada um lembrou de um acontecimento. Às vezes era um acontecimento em comum, mas na maioria era separados. Agora que estava pensando sobre o assunto, percebi que em quase todas as lembranças tinham amigos presentes. Uns que marcaram mais que os outros, uns que passaram despercebidos em nossas vidas e lembramos deles como alguém que fez parte daquele dia, mas só daquele dia.
Tem pessoas que nos apegamos, e quando elas vão embora muito de repente, nós sofremos. Sentimos uma sensação estranha em nosso coração, apesar de ser uma figura de linguagem quando falamos que agimos com ele. Porém é verdade quando dizem que ele é um centro de emoções. Ele acelera quando você está nervoso, mas essa é uma sensação real, normal e estamos habituados a ela. Quando alguém que amamos vai embora a sensação é diferente. Comparo com aquela situação em que você se encolhe pra chorar, ou pra sofrer sozinho. Parece que ele fica pequeninho, encolhidinho, sentimos uma dor do lado esquerdo de nosso tronco, um pouco para cima, a dor é na frente. Nossa garganta também aperta. Não conseguimos falar, as palavras ficam presas, e quando saem, não saem nítidas. Nossos olhos não conseguem se ajustar na escuridão. É como se aquela pessoa trouxesse a alegria, a luz, as cores, os sons e quando ela fosse embora, levasse tudo isso com ela. Dói. Machuca. E então eu me pergunto: "isso é a amizade? Isso é o amor da amizade? Essa dor, esse vazio, é por causa da amizade que cresceu de uma pequena conversa casual ou de um 'oi'?". Deve ser. Como não conseguimos definir o amor, também não conseguimos definir a amizade. Afinal, amizade é um tipo de amor. 
Mas quando nos separamos aos poucos, vamos nos acostumando com a ideia e fica mais fácil, mais natural. Sentimos falta, é claro que sentimos. Sentimos saudades, é claro que sentimos. Mas nenhum desses termos é sinônimo de querer de volta. 
Não sei o que é o amor. Tampouco a amizade. Sei que gosto de ter companhias e de ter histórias pra contar, e o que seriam das histórias sem os amigos? Os amigos servem pro passado, pro presente e pro futuro. No passado, eu estou cheia deles e de histórias com eles. No presente, estou construindo novas histórias. No futuro, eu estarei contando essas histórias para outras pessoas. 
O amor da amizade é aquele amor que sentimos a necessidade de sentir. 

Dedico o texto de hoje à uma amiga minha que não faz muito tempo que eu conheço, mas que eu sei que vou sentir aquela sensação que eu acabei de escrever de vazio. Meu mundo ficou mais brilhante depois eu te conheci, Flávia. 

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