quarta-feira, 31 de outubro de 2012

escravos

Cada dia eu acordo com alguma sensação diferente. Sensação de medo do que o futuro mais próximo possa me oferecer, sensação de felicidade por ter vivido mais uma noite, sensação de tristeza porque saí do torpor maravilhoso do sono, sensação de alívio por ter acordado de um pesadelo. Sensações. É disso que as pessoas são movidas. De sensações. Nós não controlamos as sensações, elas são instintivas, muitas vezes odiáveis e outras vezes amáveis. Fazem parte de nós, como nós fazemos parte delas. Elas não existiriam sem nós e nós não existiríamos sem elas. Uma dependência, que outrora deve ter sido boa, ou talvez de mais fácil convivência, ou esse boa talvez nunca tenha existido realmente. Mas temos a capacidade de aliviá-las, cada um a seu modo, escrevendo, cantando e coisas do tipo. Nós enviamos-as para um lugar no fundo de nossa mente (ou de nosso coração?) e desejamos que elas continuem lá, trancadas. Pena que isso dura tão pouco, uma emoção diferente, um palito diferente no seu dia e ela se liberta e te faz sentir as piores dores, as mais inimagináveis, sem ninguém saber, só você é capaz de conhecê-las e senti-las. 
Temos as intuições também. Essas são um pouco extintas e desacreditadas, mas às vezes fazem sentido, ou dão sentido à alguma situação. Conseguimos ignorá-la, ou apenas fazer ela ficar quieta, ou apenas fingir não perceber, ou simplesmente não acreditar nela, porém ela continua presente, não intensamente, não dilacerante, apenas presente. Ela não te ataca; ela te avisa. 
E existem os sentimentos que não passam longe das sensações, porém eles são mais intensos e difíceis de controlar. As sensações são momentâneas e conseguimos pensar com alguma clareza quando passa o susto. O sentimento é mais torturante, ele te consome lentamente, e, muito de repente, sem que você consiga perceber a tempo, ele faz parte de cada célula do seu corpo, de cada sistema e de cada terminação nervosa, então torna-se tarde demais para conseguir contê-lo e ele vaza para seus membros e para sua mente e escapa através de sua voz e te entrega através de suas ações. Tão habilidoso, impossível parar depois que começa. 
As emoções. Essas são incrivelmente rápidas, entram e saem quando querem mas não duram mais de um minuto. Sempre estão esperando, espiando, e atacando-nos imperceptivelmente. Não alteram nada, só atrapalham quando queremos pensar com clareza.
Cada dia é diferente do outro e os sentimentos, as sensações, as emoções e as intuições trabalham juntas, revezando conforme nós precisamos delas. Somos meio bipolares, e isso se deve à essa troca que acontece internamente. Fico perguntando-me se nós somos escravos do que sentimos ou o que sentimos que são nossos escravos. Afinal, eles estão tentando se vingar por mantê-los presos em nós?

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