sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Amo-te tanto, mãe

O cheiro escalou a parede, pulou a janela e acertou em cheio minhas narinas, que automaticamente o clamaram novamente, fazendo minha cabeça dar voltas incoerentes. 
Eu conhecia esse cheiro. Era o cheiro do velho bolo de minha mãe, que por um longo tempo eu rejeitei, sem saber o que estava perdendo. Tenho vontade de largar tudo o que estou fazendo no computador apenas para correr escada a baixo, com o intuito de comer um pedaço dele quente. Sempre sentia um prazer estranho ao comer pedaço de bolo quente, apenas por sentir a massa morna se desmontar delicadamente em minha boca. Minha mãe nunca o negou, pelo contrário, sempre acompanhou-me nesses casos. 
Ela me acompanha (me acompanha) sempre. Companheira no mais belo amor de mãe e filha. Ela me acompanha quando estou me divertindo e está sempre a meu lado quando estou triste. Nossa relação é viva, cheia de alegrias e brincadeiras, principalmente de zombarias. É como se tivéssemos nascido para sermos melhores amigas, e acredito que esse sempre foi o caso. 
Toda noite eu olho para o relógio e penso se está na hora ou não. Aproximadamente 20h00 minha mãe chega em meu quarto com um copo de leite duplo e com uma salada de frutas, sempre com maçã e laranja e, às vezes, alguns complementos. Ela vem me dar benção e boa noite. Nossas falas já são decoradas: "Durma com Deus, com os Anjos, com Nossa Senhora e com Jesus" "Amém, você também e durma bem", geralmente é nessa altura que ela me dá um beijo na testa. "Te amo, mãe" "Também te amo", e então ela fecha a porta e me deixa com meus pensamentos e reflexões e com seja o que for que eu esteja fazendo no computador. 
Está certo que eu não vejo o cotidiano e que não olho para fora das quatro paredes de meu quarto, mas eu tenho meu cotidiano dentro de minha própria casa. Minha rotina custa a mudar e, quando muda, é muito lentamente. Minha rotina é quase inexorável, onde movo um pauzinho ou outro, mas a construção permanece a mesma, com os mesmos costumes e manias de anos atrás. 
Fizemos um acordo de trocar as expressões em fotos. Eu normalmente dava um sorriso sem mostrar os dentes e ela dava um sorriso mostrando os dentes e a felicidade que sempre emana de seu corpo, mas invertemos e nos identificamos mais com isso. Eu não gostava de mim nas fotos e ela não gostava dela nas fotos, então, com os rostos parecidos, invertemos as coisas e para nossa surpresa foi a nossa maior solução. 
Nem comentarei das horas que passamos conversando na cozinha depois de o almoço terminar. 
Amo-te tanto, mãe, que por vezes não consigo demonstrar. Amo-te tanto, mãe, que esse amor no meu peito sequer consegue entrar. 

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