Eu me enganei. Me enganei sobre os caminhos que eu escrevi e que compartilhei. Eu errei. Estava errada o tempo todo, tudo o que eu disse foi uma mentira contada sem saber, tudo o que eu inventei foi fruto de uma imaginação que não pode se explicar. Eu dependi. Dependi de respostas e de perguntas, tinha medo de tentar sozinha sem ter certeza de um futuro distante. Eu me prendi. Me prendi nessa prisão da vida real que nos impede de seguir em frente. Eu tive medo. Tive medo do que esperar, tive medo de tentar e de fazer. Eu me arrependi. Me arrependi de ter me arrependido e de ter pensado que alguma coisa que eu tenha feito tenha sido em vão; nada é em vão.
Eu aprendi. Eu aprendi que cada palavra e cada gesto são gravados e ficam ali guardados, escondidos, em cada sistema nervoso de meu corpo. Aprendi que devemos dar valor a amizades verdadeiras enquanto elas durarem, porque depois que acabarem não terá mais volta. Aprendi que somos fantasmas perdidos em um mundo de humanos.
Quando eu for humana, quando eu estiver em meu leito de morte, me pergunte, me pergunte o que eu vivi e o que eu me arrependo, me pergunte como eu cresci e porque continuo aqui. Me pergunte.
Mas a resposta eu já sei.
Eu darei uma risada fraca pela minha idade e responderei:
— Não me arrependo de nada, porque nada é em vão, tudo tem um motivo e por mais que você não perceba, tudo tem um resultado. Eu errei o que tinha que errar e acertei o que tinha que acertar, agora não tenho mais nada a fazer, porque eu vivi o que eu tinha que viver.
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